09 de setembro de 2026PLD

PF combate esquema financeiro clandestino na região de fronteira

A investigação identificou indícios de realização de serviços de câmbio paralelo e de remessa informal de valores ao exterior, bem como transferências de valores sem qualquer operação formal de câmbio. A Justiça Federal determinou a indisponibilidade de cerca de R$ 254 milhões.

Operação Cold Trail

A Polícia Federal deflagrou a Operação Cold Trail, destinada a desarticular organização criminosa que mantinha estrutura financeira clandestina estabelecida em Aceguá (RS), na fronteira entre Brasil e Uruguai, dedicada a câmbio paralelo, remessa irregular de valores ao exterior e lavagem de dinheiro.

Foram cumpridos dois mandados de prisão temporária, 10 mandados de busca e apreensão e 10 mandados de busca pessoal em Bagé e Aceguá. Outras oito pessoas foram alvo de medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de deixar o país, com entrega de passaporte, e comparecimento periódico em juízo.

R$ 254 milhões bloqueados

A Justiça Federal determinou a indisponibilidade de bens e valores no montante aproximado de R$ 254 milhões, com bloqueio de contas bancárias, restrição de transferência sobre 13 veículos e indisponibilidade de nove imóveis.

A investigação identificou indícios de realização de serviços de câmbio paralelo e de remessa informal de valores ao exterior, bem como transferências de valores sem qualquer operação formal de câmbio.

Iniciada em setembro de 2023, a apuração aponta que pessoas físicas e jurídicas de diversas regiões do país depositavam reais em contas indicadas pelo grupo e, em contrapartida, recebiam o valor equivalente em moeda estrangeira no exterior. Os investigados responderão, em tese, por operação de instituição financeira sem autorização, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O que isso ensina sobre PLD/FTP

Uma instituição financeira clandestina só funciona porque encontra contas de passagem em instituições regulares. Depósitos de origens dispersas em contas de um mesmo grupo, sem lastro comercial, com valores redondos e liquidação rápida, formam um padrão identificável.

O controle eficaz combina análise de rede — quem transaciona com quem — com verificação de atividade econômica declarada e presença em regiões de fronteira. A Zabit cruza esses sinais no cadastro e no monitoramento contínuo, para que a operação atípica vire alerta antes de virar processo.

Tags:Polícia FederalCâmbio paraleloEvasão de divisasInstituição financeira clandestinaFronteira
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